segunda-feira, 30 de abril de 2012

Gosto quando te calas




Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
Neruda ( lógico...rs)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Escuridão





Abro os olhos e é só breu...nada de cores ou ou vultos, apenas a sensação de vazio.
Estou deitada, mas onde?Não há chão ou coisa parecida, é só o nada tomando conta de todo o espaço...ilimitadamente nada em tudo.
Ponho-me de pé, tento caminhar.Ando alguns passos até que percebo que nao estou chegando a lugar algum...
Não sinto medo, nem paz. Só sinto o vazio.
Uma luz bem fraca aparece no alto da minha cabeça...tão longe que não posso alcançá-la.Parece pequena e  forte, mas  distante . Estico os dedos tentando alcançar , e sinto-me chegando lentamente mais perto....ou será que a luz esta se aproximando?
Sei que quando estou mais perto, a luz fica maior e mais forte....e apesar da cegueira que me causa, posso ler claramente a palavra que a luz mostra:ESPERANÇA.